(...) caminhando despreocupada por aquela alameda suja de um outono parisiense.
Todo aquele cinza contrastava com o brilho de seus cabelos dourados, que reluziam mesmo na ausência do sol, e céu tinha o mesmo tom de cinza de seus olhos frios e oblíqüos, que encontraram os meus naquele momento de êxtase.
Seu sorriso se abriu singelo, sutil e tímido, iluminando seu rosto pálido de traços renascentistas, como um quadro em algum corredor mal iluminado do Louvre.
A cidade triste e sem cores parecia alegrar-se enquanto teus imaculados pés deslizavam sobre o calçamento coberto de folhas, que dançavam no tirmo do vento boreal, que durante as estações mais frias atormenta as vidraças finas dos cortiços, abafando os sussurros dos morbundos nas ruas vazias, balançando as árvores nuas, mas tua beleza ingênua parece ser imune aos horrores de uma Paris recém industrializada e escura.
As mais cruéis moléstias, que levam embora os mortais aos milhares, não lhe atingem, e no momento em que você tocou seus dedos miraculosos em minha face tive a falsa sensação de que elas não mais me atingiriam também. Blasfêmia!
Criatura taciturna, cujos dedos que deveriam me trazer a cura abriram-me as portas para o maior mistério do ser humano, a mais mortal das epidemias, a pior das dores que o homem carrega no peito.. O amor.
Que lixo.
segunda-feira, 14 de abril de 2008
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